Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

|5| sinto-me aquele avião...

 

Não posso deixar de agradecer o apoio da equipa do “sapo blogs” neste começo do “paralelismos” (destaque em blogs.sapo.pt e www.sapo.pt)… ajuda sempre a continuar, mesmo quando estamos a começar :) … sinto-me de facto um avião ao contabilizar tantas visitas... :)

 

publicado por carlos palmeiro às 12:48
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

|4| perspectivas "religiosas"

Como agnóstico profundamente interessado pelas questões da arquitectura e da geometria não pude deixar de visitar a última grande obra de arquitectura religiosa a nível mundial… observei assim algumas perspectivas do crucifixo colocado junto à nova igreja da Santíssima Trindade em Fátima… é bem interessante!

 

 

Nota: a mancha branca vísivel nesta fotografia é a lua...

 

 

publicado por carlos palmeiro às 08:17
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

|3| paris e aves...

Quem diria, a cidade das luzes é também a cidade dos bichos... de passeio por Paris a três, eu, a minha esposa (Zita) e a minha máquina fotográfica, descobrimos uma nova cidade paralela à Paris de que todos já ouvimos falar. Por entre a urbe parisiense surgem pequenos habitats, verdadeiros mundos selvagens dignos de serem admirados, um mundo de animais urbanos … mas num olhar mais atento, por entre os diversos grupos de espécies que abundam, desde insectos a mamíferos, destaca-se um, as aves. A sua beleza e elegância no voo, a sua visão privilegiada sobre a cidade e a sua capacidade de adaptação são meritórias e invejáveis… todos sabemos que os animais, uns mais do que outros, são fotogénicos, cumprindo de forma subtil uma das regras básicas para uma boa fotografia, agir com naturalidade, nisso as aves são verdadeiras peritas, principalmente as de Paris. O mundo das aves urbanas não se extingue na reprodução, alimentação e sobrevivência num mundo que lhes é atroz, este estende-se muito para além disso, entra pelas nossas vidas influenciando-as ao ponto de alguém escrever sobre isso… elas vencem as adversidades de uma cidade frenética que muitas vezes não lhes atribui a devida importância, respondendo com uma admirável capacidade de adaptação, transformando literalmente o nosso no seu mundo.

 

 


As aves que podemos fotografar por Paris, fruto do hábito e da convivência com os humanos, são sempre simpáticas e não desatam a fugir, ao contrário do que se poderia esperar. Pombos, patos e corvos não são raros. Os pombos proliferam um pouco por todos os espaços, a sua adaptabilidade e capacidade de reprodução transforma-os nas mais bem sucedidas aves urbanas parisienses, atingindo quase o nível de praga, exigindo um controlo apertado por parte das autoridades e um dispendioso gasto na protecção de edifícios e monumentos (não tanto como noutras cidades da Europa), mas não deixam por isso de ser aves simpáticas e os turistas tratam mesmo de lhes atribuir uma espécie de paternidade, mesmo que involuntariamente, pois são os seus melhores, e diga-se, mais convenientes amigos. Os animais aproveitam as desleixadas trincadelas nos alimentos e os resíduos que daí resultam e que se precipitam em direcção ao solo… é vê-los a comer frango, tomate, alface, chouriço, salsichas, até papel... tudo o que toca no chão é uma potencial fonte de proteínas, numa dieta muito hominídea… menos mal que não fazem do sedentarismo o seu modo de vida, caso contrário colheriam daí graves prejuízos para a sua saúde, veríamos pombos obesos, sem conseguir voar… que visão… imagine que pude até presenciar um pombo a beber restos de cerveja de um copo tombado… compreendem-se os atropelamentos que de vez em vez ocorrem...

 

 

 


Seja no rio ou num canal, seja num lago ao num simples espelho de água é lá que encontramos os patos, num ambiente em que se sentem realmente confortáveis… mas nem por isso deixam de estar entre os humanos, exemplo disso são os que podemos encontrar a passear elegantemente no interior dos espelhos de água das pirâmides do Louvre, comprovando desta forma a capacidade de adaptação destes animais às alterações urbanas, por mais antinaturais que elas possam ser ou parecer, tirando partido de quase todas as situações e ambientes… mas as razões podem ser outras, quem sabe se estas aves não desenvolveram uma relação especial com a obra de o arquitecto chinês Ieoh Ming Pei, as pirâmides, obra que representa a última metamorfose do grandioso palácio do Louvre, que com um olhar mais detalhado bem podem ser confundidas com ovos gigantes enterrados pelo meio, os patos terão então uma visão idílica e romântica sobre aqueles objectos, o regresso aos primórdios da sua própria existência, quando ainda se encontravam dentro do ovo… quem sabe…

 

 

 


Mas há ainda uma espécie de ave que se observa frequentemente pela cidade, embora com gostos, eu diria, mais requintados, outros diriam, mais sobrenaturais, todos concordaríamos com gostos estranhos… estou a falar de corvos, amantes, entre outras coisas, do que é dourado. São aves bem mais recatadas do que pombos e patos, místicas e fugidias por natureza, não é fácil encontrá-las em grandes intimidades com humanos, a não ser que eles estejam… mortos… mas inteligentes, não dispensam, longe disso, a relação muito diplomática que connosco estabeleceram, os princípios dessa relação são similares aos dos pombos, uma alimentação fácil e variada. De passeio pelo Cemitério du Père Lachaise, famoso por lá se encontrarem sepultadas muitas figuras célebres, como o músico Jim Morrison, o escritor Honoré de Balzac, o pintor Eugène Delacroix ou a cantora Édith Piaf, dei de caras, não poucas vezes, com visões fantasmagóricas, sombras aerodinâmicas de olhos reluzentes, os corvos emprestam uma áurea mágica a este sítio. A sua relação com o reino dos mortos é próxima, pelo menos parece sê-lo. Agora imaginemos… um dia de Inverno, a tarde embora no inicio parece estar a terminar, uma escuridão silenciosa cobre lentamente, mas com intensidade, todo o espaço, uma chuva miudinha, intervalada por pequenos flocos de neve, apossasse de todos os objectos e entranha-se por todos o sítios, até nos mais recônditos, o espaço encontra-se submerso num ambiente místico, medieval, a brisa fria que sopra traz-nos sons do além, são vozes, são gritos, ou serão simplesmente apelos, lamúrias… nunca saberemos, são apenas corvos que vemos!

 

 

 

publicado por carlos palmeiro às 08:30
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|2| pombos na praça do giraldo, évora

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por carlos palmeiro às 08:15
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Domingo, 11 de Novembro de 2007

|1| instauração do blogue...

Desde o verão de 1826 aos dias de hoje muito mudou no mundo da fotografia. A evolução de equipamentos e de técnicas materializou-se, e rematerializou-se, um número quase incontável de vezes, numa sequência evolutiva que dura até aos dias de hoje, e que continuará. O presente da fotografia, sucedendo a um passado recente, é já um período em que o acesso aos elementos fotográficos está totalmente democratizado, ou seja, fazer fotografia está efectivamente ao alcance de qualquer um, sejam as suas intenções profissionais ou totalmente amadoras. Contudo, não são todos os que, com sublime sensibilidade, conseguem extrair de um dado instante o mais profundo dos seus significados, aquilo a que chamo, uma pequena porção de existência, é desta forma que pessoas especiais possibilitam a fusão da fotografia com arte, a arte torna-se assim fotografia. Este blogue pretende realçar isso mesmo, a fotografia como arte.

A fotografia possui o dom de materializar o efémero. É mesmo a única forma de o fazer com rigor. As virtudes da fotografia são imensas, mas a mais simples, e certamente a mais importante, é a magia que nos proporciona quando nos permite tornar o efémero em eterno, nunca desaparecendo o encantamento que só a efemeridade possibilita. Podemos assim voltar a um momento passado sempre que desejar-mos, ele vai estar sempre ali, corporalizado.

Sem mais, “paralelismos” pretende ser um blogue de fotografia, sobre fotografia e com fotografia, sendo também, por consequência, um blogue sobre o passado e sobre coisas passadas. Não poderia deixar de sê-lo. Aqui serão publicadas fotografias. Alguns textos. Opiniões.

Para este primeiro poste escolhi aquela que é unanimemente considerada como a primeira fotografia permanente do mundo, feita por Nicéphore Niépce. É sempre seguro começar pelos antípodas...

Obrigado pela primeira visita, volta sempre!

 

View from the Window at Le Gras, Joseph Nicéphore Niépce

Vista a partir da janela em Le Gras, Joseph Nicéphore Niépce (fonte: pt.wikipedia.org)

 

publicado por carlos palmeiro às 16:00
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