Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

|21| paris... torre, rua e árvores "depenadas"

 

 

 

publicado por carlos palmeiro às 10:00
| comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

|3| paris e aves...

Quem diria, a cidade das luzes é também a cidade dos bichos... de passeio por Paris a três, eu, a minha esposa (Zita) e a minha máquina fotográfica, descobrimos uma nova cidade paralela à Paris de que todos já ouvimos falar. Por entre a urbe parisiense surgem pequenos habitats, verdadeiros mundos selvagens dignos de serem admirados, um mundo de animais urbanos … mas num olhar mais atento, por entre os diversos grupos de espécies que abundam, desde insectos a mamíferos, destaca-se um, as aves. A sua beleza e elegância no voo, a sua visão privilegiada sobre a cidade e a sua capacidade de adaptação são meritórias e invejáveis… todos sabemos que os animais, uns mais do que outros, são fotogénicos, cumprindo de forma subtil uma das regras básicas para uma boa fotografia, agir com naturalidade, nisso as aves são verdadeiras peritas, principalmente as de Paris. O mundo das aves urbanas não se extingue na reprodução, alimentação e sobrevivência num mundo que lhes é atroz, este estende-se muito para além disso, entra pelas nossas vidas influenciando-as ao ponto de alguém escrever sobre isso… elas vencem as adversidades de uma cidade frenética que muitas vezes não lhes atribui a devida importância, respondendo com uma admirável capacidade de adaptação, transformando literalmente o nosso no seu mundo.

 

 


As aves que podemos fotografar por Paris, fruto do hábito e da convivência com os humanos, são sempre simpáticas e não desatam a fugir, ao contrário do que se poderia esperar. Pombos, patos e corvos não são raros. Os pombos proliferam um pouco por todos os espaços, a sua adaptabilidade e capacidade de reprodução transforma-os nas mais bem sucedidas aves urbanas parisienses, atingindo quase o nível de praga, exigindo um controlo apertado por parte das autoridades e um dispendioso gasto na protecção de edifícios e monumentos (não tanto como noutras cidades da Europa), mas não deixam por isso de ser aves simpáticas e os turistas tratam mesmo de lhes atribuir uma espécie de paternidade, mesmo que involuntariamente, pois são os seus melhores, e diga-se, mais convenientes amigos. Os animais aproveitam as desleixadas trincadelas nos alimentos e os resíduos que daí resultam e que se precipitam em direcção ao solo… é vê-los a comer frango, tomate, alface, chouriço, salsichas, até papel... tudo o que toca no chão é uma potencial fonte de proteínas, numa dieta muito hominídea… menos mal que não fazem do sedentarismo o seu modo de vida, caso contrário colheriam daí graves prejuízos para a sua saúde, veríamos pombos obesos, sem conseguir voar… que visão… imagine que pude até presenciar um pombo a beber restos de cerveja de um copo tombado… compreendem-se os atropelamentos que de vez em vez ocorrem...

 

 

 


Seja no rio ou num canal, seja num lago ao num simples espelho de água é lá que encontramos os patos, num ambiente em que se sentem realmente confortáveis… mas nem por isso deixam de estar entre os humanos, exemplo disso são os que podemos encontrar a passear elegantemente no interior dos espelhos de água das pirâmides do Louvre, comprovando desta forma a capacidade de adaptação destes animais às alterações urbanas, por mais antinaturais que elas possam ser ou parecer, tirando partido de quase todas as situações e ambientes… mas as razões podem ser outras, quem sabe se estas aves não desenvolveram uma relação especial com a obra de o arquitecto chinês Ieoh Ming Pei, as pirâmides, obra que representa a última metamorfose do grandioso palácio do Louvre, que com um olhar mais detalhado bem podem ser confundidas com ovos gigantes enterrados pelo meio, os patos terão então uma visão idílica e romântica sobre aqueles objectos, o regresso aos primórdios da sua própria existência, quando ainda se encontravam dentro do ovo… quem sabe…

 

 

 


Mas há ainda uma espécie de ave que se observa frequentemente pela cidade, embora com gostos, eu diria, mais requintados, outros diriam, mais sobrenaturais, todos concordaríamos com gostos estranhos… estou a falar de corvos, amantes, entre outras coisas, do que é dourado. São aves bem mais recatadas do que pombos e patos, místicas e fugidias por natureza, não é fácil encontrá-las em grandes intimidades com humanos, a não ser que eles estejam… mortos… mas inteligentes, não dispensam, longe disso, a relação muito diplomática que connosco estabeleceram, os princípios dessa relação são similares aos dos pombos, uma alimentação fácil e variada. De passeio pelo Cemitério du Père Lachaise, famoso por lá se encontrarem sepultadas muitas figuras célebres, como o músico Jim Morrison, o escritor Honoré de Balzac, o pintor Eugène Delacroix ou a cantora Édith Piaf, dei de caras, não poucas vezes, com visões fantasmagóricas, sombras aerodinâmicas de olhos reluzentes, os corvos emprestam uma áurea mágica a este sítio. A sua relação com o reino dos mortos é próxima, pelo menos parece sê-lo. Agora imaginemos… um dia de Inverno, a tarde embora no inicio parece estar a terminar, uma escuridão silenciosa cobre lentamente, mas com intensidade, todo o espaço, uma chuva miudinha, intervalada por pequenos flocos de neve, apossasse de todos os objectos e entranha-se por todos o sítios, até nos mais recônditos, o espaço encontra-se submerso num ambiente místico, medieval, a brisa fria que sopra traz-nos sons do além, são vozes, são gritos, ou serão simplesmente apelos, lamúrias… nunca saberemos, são apenas corvos que vemos!

 

 

 

publicado por carlos palmeiro às 08:30
| comentar | ver comentários (1)

Sobre o nome deste blogue: Fotografia e realidade em curso, verdades paralelas, que se relacionam, mas fisicamente impossíveis de fundir, daí o paralelismo... paralelismo também pelo facto de o nosso planeta, complexo politicamente, ser composto por imensos estados "preenchidos" por pessoas com culturas diferentes, mas sempre com algum paralelismo...

Sobre mim: Carlos Palmeiro, 30 anos... fotografia? só como amador, e como amador procuro com este blogue estabelecer um local onde possa dar asas à minha imaginação fotográfica, onde possa reflectir e explanar o que penso sobre o mundo das imagens, dos momentos, dos instantes... e deambular, por que não, sobre as viagens que vou fazendo... as temáticas da natureza, do património, da viagem, da etnografia, do fotojornalismo e do abstracto são as que mais me fascinam. Defendo sobretudo que a fotografia, para além de equipamento e de técnica, deve ser analisada sobretudo como elemento indissociável do que é arte, como tal, a sua crítica deve percorrer a amplitude que só a análise do que é elemento artístico potencia... em relação às viajens tenho a ambição de muitos, conhecer o mundo e visitar todos os seus estados reconhecidos... está demorada a concretização deste objectivo, mas ainda não é tarde... volta sempre, e sempre que possas deixa os teus comentários, as críticas e as sugestões aqui no blogue ou através de carlospalmeiro@sapo.pt...

sítio da semana

Photos Morocco um site de fotografia sobre Marrocos da autoria de João Leitão

outros olhares... fotografias do mês

arquivo

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

postes recentes

|21| paris... torre, rua ...

|3| paris e aves...

tags

todas as tags

número de visitantes únicos

free stats

online
Creative Commons License

Photography Blogs - BlogCatalog Blog Directory

RSS